Crise Hipertensiva

Hipertensão Arterial: Crise Hipertensiva

 

 

O que é? 

Crise hipertensiva é a elevação, repentina, rápida, severa, inapropriada e sintomática da pressão arterial, em animal normotenso ou hipertenso. Os órgãos alvo da crise hipertensiva são: os olhos, rins, coração e cérebro. 

A crise hipertensiva apresenta sinais e sintomas agudos de intensidade severa e grave com possibilidades de deterioração rápida dos órgãos alvo. Pode haver risco de vida potencial e imediato, pois os níveis tensionais estarão muito elevados, superiores a 180 mmHg de pressão arterial sistólica ou máxima.

Como se desenvolve? 

A pressão arterial (PA) é igual ao volume de sangue (VS) que sai do coração vezes a resistência periférica que ele encontra ao circular pelo organismo do animal (PA= VS x RP). 

O volume de sangue que sai do coração não sofre grandes influências, a não ser em casos especiais de falência do órgão ou excesso de volume sangüíneo circulante. Assim, a maioria dos casos de hipertensão ocorre por alteração da resistência periférica. 

O aumento repentino da resistência periférica ocorre pela falta de regulação neurodinâmica dos mecanismos que regulam a pressão arterial. 

As situações patológicas que atuam sobre a resistência periférica podem ter inúmeras origens: 

  • neurológicas
  • vasculares
  • medicamentosas
  • drogas
  • secreção excessiva ou inapropriada de hormônios.

O que o animal sente?

A crise hipertensiva inicia repentinamente e o cão ou gato podem apresentar: 

  • sindrome de NESB ("Não Estou me Sentindo Bem")
  • ansiedade e agitação
  • cefaléia severa, notada por alteração comportamental
  • tontura
  • dificuldade de visão
  • dores de origem inespecífica e no tórax
  • tosse e falta de ar

A crise é acompanhada de sinais e sintomas em outros órgãos. 

No rim, surge hematúria, proteinúria e edema.

No sistema cardiovascular, falta de ar, dores no torax, infarto(raro em cães), arritmias e edema agudo de pulmão.

No sistema nervoso, acidente vascular do tipo isquêmico ou hemorrágico, com convulsões, alteraçõs da movimentação e da vocalização.

Na visão, turvação, hemorragias e edema de fundo de olho.

Como se faz o diagnóstico?

O animal normotenso ou hipertenso que apresente agudamente os sintomas descritos acima é examinado pelo médico veterinário, que verifica os níveis tensionais e os encontra muito elevados, acima de 180 mmHg de pressão arterial máxima, com sinais e sintomas próprios da crise hipertensiva e sinais de deterioração rápida de vários órgãos. 

Muitas vezes, os animais têm pseudocrises hipertensivas. Esses pacientes, apesar de níveis elevados de pressão arterial, não têm evidências de deterioração rápida dos órgãos alvo e nem risco de vida. Na revisão clínica, eles compõem um grupo de hipertensos que teve sua pressão arterial elevada por eventos extras, como crises dolorosas ou emocionais, pós-operatórios imediatos, pânico ou cefaléias severas. Quase sempre são animais hipertensos mal-tratados ou que não vem recebendo com a frequência certa os medicamentos. Tais pacientes não devem ser confundidos com aqueles que têm uma verdadeira crise hipertensiva. 

Urgências

As principais urgências que podem redundar em crise hipertensiva são: 

  • hipertensão arterial associada a aneurisma dissecante da aorta
  • encefalopatia hipertensiva
  • acidente vascular cerebral de qualquer origem isquêmica ou hemorrágica
  • nefrites agudas
  • trauma operatório de cirurgia cardíaca, vascular, neurológica ou de tumores de supra-renal
  • crise de rebote pela suspensão abrupta de certos medicamentos anti-hipertensivos de uso contínuo
  • na gestação complicada pré-eclâmptica ou eclâmptica
  • administração de estimulantes como medicamentos, drogas ilícitas deixadas ao alcance do animal, medicamentos para resfriados que contenham vasoconstritores (descongestionantes nasais) e outras drogas que estejam ao alcance.
  • uso excessivo de corticóides ou produção aumentada por tumores da supra-renal.
  • feocromocitoma
  • por alterações vasculares renais agudas em pacientes ateroscleróticos, com piora da hipertensão renovascular.

Tratamento

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) acompanhada de grande e repentina elevação da pressão arterial requer que os animais sejam protegidos de lesão dos órgãos alvo: olhos, rins, coração e cérebro.

Os níveis de pressão arterial devem ser imediatamente diminuídos com medicamentos especiais orais e intravenosas, usadas pelos cardiologistas e clinicos veterinários sob controle rigoroso em unidades de tratamento intensivo. 

A internação com sucesso evita danos severos e lesões irreversíveis que podem levar o paciente ao óbito, como infarto agudo (incomum em cães), edema agudo de pulmão, encefalopatia hipertensiva e acidentes vasculares cerebrais isquêmicos ou hemorrágicos graves. 

A intervenção deve ser de intensidade correspondente à gravidade da crise para evitar as complicações e também para impedir que a hipertensão se torne acelerada ou "maligna". 

Há alguns casos em que a pressão arterial elevada não é uma crise hipertensiva e, nesta situação, o tratamento pode ser feito rotineiramente pelo médico. 

Entretanto, a verdadeira crise hipertensiva requer internação, atendimento intensivo e imediato com medicações e cuidados especiais, quase sempre do gênero de vasodilatadores potentes que diminuam bastante a resistência periférica alterada.


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